pascarella’s posterous

Tá chovendo?

Brasileiro é dramático.

Ontem, como acontece em média uma vez por semana, me dei conta só diante do carro que tinha esquecido as chaves na agência. Tive que voltar à minha mesa e, nesse caminho, começou a chover. Resultado: voltei para a agência parcialmente molhado para pegar as chaves e cruzei com umas 12 pessoas que ainda estavam lá.

Todas as 12, sem exceção, fizeram a mesma pergunta: tá chovendo? E mais irritante do que a pergunta, só o drama em suas vozes. É como se dissessem: “Meu Deus, está chovendo? Acione o seguro, ligue pra defesa civil, chame um padre!”

Como eu estava de mau humor, minha paciência para as recorrentes perguntas foi se esgotando na mesma proporção de minhas respostas, que se bem me lembro, foram as seguintes:

- Sim, está chovendo.

- Sim, está chovendo.

- Sim.

- Não, fui dar um mergulho na praia e voltei pra dizer que a água está boa.

- Não, fui tomar banho de roupa e tudo e voltei pra ver se você tinha uma toalha.

- Sim, dentro do elevador.

- Não, fui testar os níveis de coliformes fecais do Piscinão de Ramos.

- Não, fui num lava jato com os vidros do carro abertos pra me refrescar.

- Quem é você?

- Sim, eu sei fazer a dança da chuva. Quer ver?

- Não, não existe chuva. Você vive na Matrix.

- Sim, mas pode ir tranquila que é só em cima de mim.

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Os horrores de Guantánamo

Nas últimas férias finalmente cedi à vontade de minha mulher e fomos visitar Cuba. Achei que seria apenas uma daquelas viagens estilo Sebastião Salgado, sabe? Rico tirando foto de pobre.

Mas logo descobri que um amigo da época de faculdade estava morando na ilha. E ele tinha acesso ilimitado a lugares restritos até ao Raul Castro. Para não expor meu contato vou chamá-lo de Tony Montana, uma homenagem aos cubanos bem-sucedidos. Pois bem, Tony me revelou que tinha acesso à base americana de Guantánamo, onde os EUA mantém seus presos mais perigosos, a maioria ligada ao 11 de setembro.

Mas a base não é tão segura assim. Bastou uma caixa de Cohibas para o guarda e já estávamos dentro da prisão. E, meu amigo, posso dizer: as condições são desumanas.

Em Guantánamo, cada preso é obrigado a acordar às 5 horas da manhã e ter uma aula teórica de vinho com o Renato Machado. Sem degustação! Isso se estende até o meio-dia, quando todos vão almoçar no Giraffas. Após o almoço tem aula de geopolítica com o Mangabeira Unger e uma rápida pausa para comer 2 biscoitos maisena cada. À noite, antes de dormir, todos são obrigados a sentar numa roda de violão e cantar as músicas do Jorge Vercilo. E eu não estou falando dos sucessos não. É nessa hora que os detentos se desesperam. Achei que eles estavam rezando em direção à Meca, mas estavam apenas tentando tapar os ouvidos.

Por fim, quando passa de meia-noite, tem uma sessão com filmes do Domingos de Oliveira. Seguida de debate.

Saí de fininho e voltei rápido pro Brasil. Com mala cheia de Cohibas.

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Os almoçantes evasivos

Todo mundo que cumpre o ritual diário da labuta conhece o tipo. Aquele cara que é gente boa, cordial, bom profissional mas que, por algum motivo, some na hora do almoço.É o almoçante evasivo.

E não é o caso de serem pessoas antissociais ou de caráter duvidoso. Não, elas só não querem almoçar com os outros.

Todo dia é a mesma coisa. Aqueles pequenos grupos se formando, cada um com seu restaurante preferido, discutindo futebol, trabalho etc. Eles tentam chamar o almoçante evasivo uma, duas, três vezes. Mas acabam desistindo e com o tempo nem contam mais com ele.

Mas como eu sou um cara curioso resolvi desvendar o segredo de todos os almoçantes evasivos da minha empresa.

Comecei então a seguir um por um para descobrir o que faziam. Mandei táxis seguirem seus carros, usei bigode falso. Enfim, fui implacável na perseguição.

O saldo foi 1 assassino em série, 2 adúlteros e 1 que na verdade estava me seguindo. Fiquei assustado e parei.

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Minha escola do coração


Ok, eu confesso: só torço por uma escola de samba por obrigação. É que pro carioca não tem jeito. Desde pequeno você é obrigado a ter a resposta na ponta da língua. "Qual é o seu time?". "Flamengo". "E a sua escola?". "Colégio Marista São José". "Não animal, eu perguntei a escola de samba". "Ah .. Salgueiro". O Salgueiro era a quadra mais perto da minha casa e eu ainda tinha uns amigos integrantes da bateria. A escolha foi óbvia. Além disso, eles tinham (ainda têm) o lema "Nem melhor, nem pior. Apenas diferente." Achava isso legal.
Mas o fato é que a partir dali me sentia um carioca completo. Eu tinha um time, já tinha dado calote em ônibus e agora tinha uma escola de samba.
E, se não me engano, minha escola é a atual campeã. Engole essa Caprichosos!

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Efeitos com efeito

Assistir ao filme District 9 leva a uma discussão óbvia: o preconceito. Mas por incrível que pareça o que não sai da minha cabeça é a sutileza com que o diretor Neill Blomkamp utiliza os efeitos especiais. Coisa rara. Obviamente capitaneado pelo Peter Jackson, ele atingiu o que deveria ser o real objetivo de qualquer diretor que use tais recursos: dar veracidade ao filme. E nesse caso é impressionante. Desde o primeiro momento em que você vê os estranhos alienígenas convivendo com humanos de baixo de uma gigantesca nave espacial, você compra a idéia. Não precisa nem ter imaginação fértil. Não deixe de ver.

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Grande Polegar

 

Deu no Globo: acusado de 4 homicídios dentro da cadeia, o traficante Polegar recebeu conceito "excelente" da administração do presídio. Por isso, recebeu o direito ao regime aberto e, obviamente, não voltou mais.

- Oh Polegar, você acabou de matar esse detento?
- Não, quê isso doutor. Ele já tava assim quando eu cheguei.
- E essa faca na sua mão? E essa camisa cheia de sangue?
- Eu tive que desarmar o sujeito, mas infelizmente não deu tempo de salvar o rapaz doutor.
- Ah, tudo bem.

- Oh Polegar, foi você que queimou o Pinimba?
- Foi sem querer doutor. Eu fui jogar fora um cigarro e ele passou na hora com uma garrafa de álcool na mão. Eu tentei até chamar a enfermaria, mas celular é proibido na prisão, né doutor!
- Muito bem Polegar. Sempre cumprindo as regras.

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Monopoly is back

É isso aí. O bom e velho Banco Imobiliário está de volta, agora online e com todos os recursos do google maps. Pode conferir no http://www.monopolycitystreets.com.
Deve ser legal, mas não será suficiente para recuperar minha auto-estima em relação aos jogos de tabuleiro. Eu era péssimo em todos. No War eu só conquistei a Oceania. No Imagem & Ação eu não conseguia desenhar nem um carro. Só sobrava jogar Master, que eu e meu irmão éramos craques. Agora tenta convencer outra criança de jogar Master?

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Teatro do oprimido

Estou me dedicando a montar um espetáculo teatral pra parecer cool e comer gente. Vai ser encenado nos Arcos da Lapa, sábado à noite, porque as pessoas já estarão ali e serão obrigadas a assistir.
Vou recrutar os atores na PUC. Quero ricos que se vestem de pobre. Eles vão representar nordestinos retirantes com sotaque de novela da Globo. E estarão todos com perna de pau e fazendo malabares. No final da peça eu boto uma batucada e digo que é de um grupo chamado Maracatu qualquer coisa. Acho que pode ser Maracatu Menino, fica meio inocente e tem cara de projeto social.
A história da peça eu não tenho a menor ideia. Só sei que inscrevi o projeto na Petrobras e estou com chance de emplacar.

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Papo de elevador

2 meteorologistas se encontram no elevador.
- Que tempo maluco, né.
- Nem me fala. Essa massa de ar quente vinda do Oceano Atlântico criou uma área de instabilidade que vai do norte de Santa Catarina ao sul do Espírito Santo. A previsão para o resto do dia é de tempo parcialmente nublado com chuvas ocasionais.
- Pois é.

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Careca não. Ficando careca.

Eu sofro de um problema comum a milhões de pessoas: a calvície iminente. Pode parecer exagero, mas não se engane meu caro. A calvície iminente é uma condição mais angustiante que a do careca assumido. O careca assumido já se conformou. As pessoas têm até uma certa simpatia por ele. Agora comigo é diferente. Posso dizer que há mais de 10 anos estou ficando careca. Isso mesmo, ficando careca. E durante este tempo cheguei a uma conclusão alarmante: as pessoas torcem contra o careca iminente.

É isso mesmo. Pelo menos 1 vez por semana vem um sabidão analisar minhas raras madeixas e decretar "ih. Tá feia a coisa aí em cima hein." Ou então "Rapaz! Você tá ficando carequinha. Desiste. assume logo."

Agora, eu nunca, nunca mesmo, ouvi uma palavra de apoio. Ainda estou esperando o dia que alguém vai falar "Não desanima não cara. Ainda tem bastante cabelo aí", "Vamos lá Pasca, vamos segurar essa cabeleira aí". Não é assim que professor de ginástica fala com gordo?

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