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Os horrores de Guantánamo

Nas últimas férias finalmente cedi à vontade de minha mulher e fomos visitar Cuba. Achei que seria apenas uma daquelas viagens estilo Sebastião Salgado, sabe? Rico tirando foto de pobre.

Mas logo descobri que um amigo da época de faculdade estava morando na ilha. E ele tinha acesso ilimitado a lugares restritos até ao Raul Castro. Para não expor meu contato vou chamá-lo de Tony Montana, uma homenagem aos cubanos bem-sucedidos. Pois bem, Tony me revelou que tinha acesso à base americana de Guantánamo, onde os EUA mantém seus presos mais perigosos, a maioria ligada ao 11 de setembro.

Mas a base não é tão segura assim. Bastou uma caixa de Cohibas para o guarda e já estávamos dentro da prisão. E, meu amigo, posso dizer: as condições são desumanas.

Em Guantánamo, cada preso é obrigado a acordar às 5 horas da manhã e ter uma aula teórica de vinho com o Renato Machado. Sem degustação! Isso se estende até o meio-dia, quando todos vão almoçar no Giraffas. Após o almoço tem aula de geopolítica com o Mangabeira Unger e uma rápida pausa para comer 2 biscoitos maisena cada. À noite, antes de dormir, todos são obrigados a sentar numa roda de violão e cantar as músicas do Jorge Vercilo. E eu não estou falando dos sucessos não. É nessa hora que os detentos se desesperam. Achei que eles estavam rezando em direção à Meca, mas estavam apenas tentando tapar os ouvidos.

Por fim, quando passa de meia-noite, tem uma sessão com filmes do Domingos de Oliveira. Seguida de debate.

Saí de fininho e voltei rápido pro Brasil. Com mala cheia de Cohibas.

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